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Projeto elétrico · 10 de agosto de 2026

O disjuntor de proteção da usina se dimensiona por fase, não somando tudo

Somar a corrente de todos os microinversores numa fase só produz um disjuntor de 125 A num sistema cuja entrada é de 40 A. O erro passa despercebido porque o número vai direto para o carimbo do unifilar.

Matheus de Moura GomesEngenheiro Eletricista · CREA 1021563641D-GO

Sistema com dez microinversores monofásicos de 9,1 A de corrente máxima em corrente alternada, ligado numa rede trifásica. Qual o disjuntor do quadro de geração?

A conta errada é a mais natural:

9,1 A × 10 unidades × 1,25 = 113,75 A → disjuntor de 125 A

A conta certa dá 40 A. E a diferença entre as duas não é um detalhe de projeto — é cabo de 50 mm² contra cabo de 10 mm².

Por que a primeira conta está errada

Dez microinversores monofásicos numa rede trifásica não ficam todos na mesma fase. Eles são distribuídos entre as três, justamente para equilibrar o sistema. Cada polo do disjuntor de proteção, então, enxerga aproximadamente um terço da corrente total:

9,1 A × (10 ÷ 3 fases) × 1,25 = 37,9 A → próximo padrão comercial: 40 A

O fator 1,25 é a margem de sobrecorrente aplicada sobre a corrente máxima contínua. O “÷ 3” é o que a soma bruta esquece.

Inversor que já é trifásico não divide. A corrente que o fabricante declara para um inversor trifásico já é por fase — dividir de novo subdimensiona a proteção, que é o erro perigoso na direção oposta.

Por que o erro sobrevive à revisão

Porque o número não fica sozinho numa planilha: ele vai direto para o carimbo do diagrama unifilar e para o item de proteção do memorial descritivo. Uma vez impresso ali, ele parece conferido.

E o absurdo não salta aos olhos de imediato. Um disjuntor de proteção de 125 A num sistema cujo disjuntor de entrada é de 40 A só chama atenção de quem para e compara os dois números — que estão em páginas diferentes do mesmo projeto.

O sinal de alerta é esse: a proteção da geração maior que a proteção da entrada. Quando isso aparece, quase sempre é soma de fases.

O que fazer, na prática

1. Compare os dois disjuntores do seu projeto. O da entrada e o do quadro de geração. Se o da geração for maior, peça a memória de cálculo.

2. Confira se a divisão por fase aparece na conta. A memória tem que mostrar número de unidades, número de fases e o fator aplicado — não só o resultado.

3. Olhe a bitola junto. Cabo é a consequência mais cara do erro. Um cabo de 50 mm² onde caberia 10 mm² encarece a obra e ainda entrega uma instalação desnecessariamente rígida de manusear.

4. Desconfie de projeto sem memória de cálculo. Resultado sem conta é palpite formatado.


No nosso caso essa conta mora num lugar só, e o mesmo número alimenta o carimbo do unifilar e o memorial. Quando ela muda, os dois mudam juntos — nunca um só.

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